Essa é o protótipo da dramaturgia. Eu fiz durante a pesquisa de mestrado e tem depoimento de uma mulher pioneira (Retirado do Arquivo Publico do Distrito Federal) e o texto o Submarino do Miguel Fallabela e Maria Carmem Barbosa. Ainda faltam mais inspirações sobre eros, construção de Brasília e Autobigrafia
História da mulher que tem saudade do marido
Sim, sim! Eu conheci
ele lá. Foi muito engraçado, eu estava com os candangos no meio do refeitório
na hora do almoço, ele me viu de longe e fez uma piada de almanaque com os
colegas, e eu achei engraçado e decidi cruzar aquela poeira toda só para poder
tentar esbarrar com ele... ele sorriu e disse:
“A senhorita é a dona Alice ou a flor mais bonita desse cerrado? ” Acredita
que eu achei bonito, poético. Naquele momento eu sabia que era amor. Ele deve
ter grandes histórias para contar para vocês. Já falaram com ele? Ele está
fazendo o que agora, eu nunca mais tive contato. Ele tem um escritório!? Que
legal. Ele está bem? Eu pergunto isso porque essa coisa de construir muda as
pessoas.
Esse é um outro texto de autoficção que talvez poderia ser utilizado tbm:
Quem paga a cona?
Hoje é um dia daqueles que, mesmo de folga, eu tenho milhares de coisas para fazer. Tô com a casa pra arrumar, umas coisas do serviço pra colocar em dia antes de entrar de férias, roupa na máquina e ainda nem fiz almoço. Eu não sei porquê, mas eu lembrei de você. Eu lembrei de quando te vi a primeira vez e pensei que seria para sempre, dos R$ 58 reais de uber que eu gastei no nosso primeiro encontro. Da cerveja gelada e da batatinha quente, de não precisar me mascarar na sua frente, das risadas diante da nossa clara distinção de afinidade e mesmo assim, a nossa incrível vontade de ficar juntos. Lembrei de quando essa vontade passou a ser muito mais minha do que nossa, daquela sensação de que como água nas mãos, você estava escapando e eu simplesmente não podia fazer nada e da minha procura incansável nas minhas gavetas por uma máscara que fizesse você ficar. Eu me lembrei do choro, da ansiedade e do tremor diante da mensagem de adeus, que já não tinha afeto nem nada, só oficialização daquilo que eu não queria ver.
Sabe quando a gente ta no bar e os garçons começam a retirar as mesas pra ver se os últimos clientes se tocam que o bar está fechando e se retiram. Pois é, foi mais ou menos isso que aconteceu. Eu não me retirei esperei sentada até que ele trouxesse a conta. Ele pagou apenas a parte dele, e me deixou sentada na mesa, com o canhoto da comanda e foi embora sem olhar pra atrás. Eu demorei, mas finalmente paguei a minha parte, coloquei o resto de cerveja num copo descartável e saí andando meio de costas pra tentar olhar um pouco mais até que ele desaparecesse no meio da noite. E agora eu tô aqui, com o recibo das duas contas na carteira pra me lembrar de sempre me retirar quando garçom der o primeiro sinal.
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